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terça-feira, 21 de maio de 2013

De Chris Wedge, "Reino Escondido" é um desenho animado para todas as preferências


"Reino Escondido" é um desenho animado com direção do competente Chris Wedge, o criador da série “A Era do Gelo”. A ideia central tem raízes na tradição irlandesa, com as lendas de duendes, gnomos e todos aqueles seres pequeninos e misteriosos que vivem ocultos nas florestas. Daí talvez a escolha do irlandês Colin Farrell para a voz do líder das forças do bem e do alemão Christoph Waltz para o vilão. 
Há, no entanto, outra fonte para orientar essa história. É a ideia bem atual de que os seres de outro tamanho ou que se movimentem numa velocidade diferente da nossa, vivem na verdade em outra dimensão. É onde se localiza o “Reino Escondido” que um cientista considerado maluco anda pesquisando, sem resultados empíricos palpáveis. 
Até que a filha adolescente dele vai visita-lo em seu laboratório na mata quando, por acaso, diminui drasticamente de tamanho e penetra no mundo dos homens-folha, que têm um centímetro de altura e usam os beija-flores como meio de transporte. Um matriarcado poético no qual a rainha é uma flor de lótus. Em sua forma humana, ela é uma mulher negra, dublada, aliás por Beyoncé Knowles. A referência do roteiro aí esbarra na saga de Alice no País das Maravilhas, inclusive porque um dos personagens centrais é uma lagarta parecida com o Absolem, criado por Lewis Carroll. O importante é que o filme é um encanto, pelo vertiginoso na movimentação visual da aventura, a elegância das imagens e a esperteza dos diálogos cheios de humor e ensinamentos ecológicos. 
REINO ESCONDIDO 
Epic
EUA – 2013 – 104 min. Livre

animação/ aventura
estreia 17 05 2013
Direção Chris Wedge 
Distribuição Fox 
Com Amanda Seyfried, Josh Hutcherson, 
Collin Farell, Beyoncé Knowles
COTAÇAO
* * * *
ÓIMO

segunda-feira, 20 de maio de 2013

“Giovanni Improtta”: a controvertida estreia de José Wilker na direção. É uma comédia?


Além de mostra competitiva de cinema brasileiro da maior importância, o CINE PE Festival de Pernambuco, é um valioso termômetro de como o público se comporta em relação a determinados filmes. A sua plateia de quase três mil pessoas é bastante diversificada e se comporta com certa boa vontade para a maioria dos filmes apresentados, ou seja, presta o máximo de atenção e aplaude muito quando motivada. E tudo o que acontece naquele recinto é feito diante de milhares de testemunhas. De modo que, neste caso, é licito ao crítico informar a receptividade que determinado concorrente teve ou deixou de ter no evento. 
Estou mencionando isso para preparar o que eu tenho a dizer sobre a comédia nacional “Giovanni Improtta” que estreia esta semana e que, aliás, também foi dito por vários outros colegas que também estiveram lá. Quase nenhuma risada foi ouvida durante a sua projeção. Apesar de um início promissor e da excelente produção, o filme objetivamente não tem graça alguma. Mesmo com a presença de Andreia Beltrão, Jô Soares e Andre Matos. Nesse que é o primeiro filme dirigido por José Wilker, e que também faz o papel principal, faltou modulação no tom e no ritmo da narrativa. Ou seja, para funcionar as piadas precisam ser preparadas com mudanças de clima outros recursos, que não foram aplicados em “Giovanni Improtta”. Salva-se a competente fotografia de Lauro Escorel que, aliás, foi premiada como a melhor do Cine PE.
GIOVANNI IMPROTTA 

Brasil – 2013 – 101 min. 14 anosgênero comédia / social

estreia 17 05 2013
Distribuição: Columbia

Direção José Wilker 

Com José Wilker, Othon Bastos, 
Andreia Beltrão, Milton Gonçalves
COTAÇÃO

* *

REGULAR

sábado, 18 de maio de 2013

"A História no Cinema": preciosa coletânea de filmes de Roberto Rosselini em DVD


Lançada pela Versátil uma caixa com três DVDs de Roberto Rosselini sob o título de “A História no Cinema”. É na verdade uma amostra da maneira como o mestre do neorrealismo concebia o filme histórico. Em julho de 1963, numa entrevista para a revista “Cahiers du Cinema” nº 145, ele declarou que daí em diante só faria filmes didáticos. De fato, em seguida ele praticamente abandonou o cinema para se dedicar à TV pública, onde realizou uma dúzia de obras desse gênero. A primeira foi o surpreendente “A Tomada do poder por Luiz XIV” (abaixo) de 1966, um dos discos desta antologia. Nela está incluída a experiência precursora desse ciclo, que foi “Viva a Itália” (acima) de 1961, que mostra a conquista da Sicília por Giuseppe Garibaldi. Seu ponto alto, no entanto, é a minissérie em 3 episódios “A Era dos Medici” de 1973, sobre o Renascimento em Florença.
Nesse projeto, Rosselini coloca em prática o que poderia ser chamado de “estética da televisão”, ou seja, um estilo originado pelas limitações técnicas e financeiras da indústria televisiva daquele tempo. Na emissora estatal não era mais possível reconstituir batalhas campais, nem os bombardeios sobre a cidade de Palermo, que aparecem em “Viva a Itália” (abaixo) – uma superprodução planejada para homenagear o centenário da unificação italiana. O mais marcante naquele filme épico e patriótico é a preocupação em manter os princípios do neorrealismo que o próprio cineasta havia ajudado a fundar 15 anos antes, com “Roma Cidade Aberta” (1945). Dessacralizado, o herói é reconduzido à sua condição humana e, na qualidade de personagem, é colocado no mesmo patamar da plebe que lutava ao lado dele. Nesta outra obra da coletânea, o diretor procura manter a âncora no realismo, permitindo que Garibaldi brilhe com algumas de suas frases célebres, ainda que o foco da ação permaneça no coletivo.
Em “A Era dos Médici”, como quase tudo o que se fazia na TV da época, a ideia era sempre maior que os recursos disponíveis. Assim, em lugar de grandes astros, temos figurantes falando com a voz de dubladores profissionais. Em vez de investir em cenografia, recorre-se a locações nos majestosos monumentos históricos de Florença. E aí, sem tecnologia para a criação de paisagens sonoras, usa-se muita música ambiental para sugerir os climas emocionais. Há uma curiosa passagem em que a edição mantém o som de um coro de monges rezando em latim, como fundo de uma discussão filosófica sobre arte e política. Não dá muito certo, por causa das limitações técnicas na mixagem da época. Mas a concepção é surpreendente. 
Sem equipamento para longos travellings de câmara, aproveita-se repetidamente o movimento das panorâmicas e do zoom. Além disso, boa parte da narrativa fica mais na fala dos personagens relatando os acontecimentos uns para os outros, do que na reconstituição física dos fatos. Esse dado também pode ser visto como uma herança do rádio, do qual a TV se origina – não apenas como mídia, mas como organização social (RAI - Radiotelevisione Italiana). Num determinado diálogo, por exemplo, Rosselini aborda a transformação do conceito de “usura” pela noção de lucro – então uma novidade. Um príncipe católico definia o imposto como uma “multa pelo pecado da usura”. Trata-se, portanto, de um cinema mais épico do que dramático, mais sociológico do que psicológico. 
A sofisticação exibida na série “A Era dos Médici” ficava por conta do luxo dos figurinos. Note-se, por exemplo, a variedade de roupagens dos religiosos na cena do Concílio de Trento. O requinte da direção se manifesta também no gestual das figuras que se diferenciava radicalmente do atual – algo que a maioria dos filmes históricos americanos ignora por completo. O costume das mesuras para com indivíduos de status mais elevado, os modos de usar as mãos em função das roupas, e até o hábito de tirar as botas ao entrar em ambientes fechados ajudam a colorir o painel cultural da época. Rosselini se preocupa até com a atitude corporal do “homem do renascimento”, que recusava a especialização do conhecimento e experimentava a maior variedade possível, sem diferenciar a arte da ciência ou o trabalho do lazer.
Mesmo com todas essas dificuldades, Rosselini consegue explicar as transformações econômicas e culturais que ocorreram no século 15º da Renascença italiana – como o contato com as civilizações orientais e a consequente retomada da arte clássica e da filosofia dos antigos gregos. A ascensão social e política da burguesia são descritas junto com o enfraquecimento das nobres corporações e seus segredos guardados a sete chaves, como o da fabricação da seda subtraído dos chineses. Vemos como estas associações de artesãos recorriam até à violência na tentativa de frear o seu declínio – oferecendo um curioso palpite sobre a origem medieval da Máfia e da Maçonaria, com vendetta e tudo. Mostra-se a centralização dos núcleos políticos, ou seja, das cidades-estados, acompanhada pelo mecenato que valorizava as artes, numa inédita associação entre riqueza, saber e poder.
Um detalhe que pode escapar aos contemporâneos é que, ao lado dos intelectuais e artistas, os heróis do filme são os mercadores – a classe social que então se achava à frente das grandes transformações históricas. Rosselini exibe essa “burguesia a cavalo” em belíssimas externas, com um fervor épico digno de Eisenstein, se este pudesse ter filmado em cores. Outro pormenor que não escapa ao mestre: no século XV, portanto, cem anos antes da Reforma, os negociantes florentinos eram muito mais éticos e sérios que os ingleses – famosos por serem dados a ardis e falcatruas.
Nessa magnífica aula sobre a passagem do mundo medieval para o moderno, torna-se clara a ligação entre o avanço no conhecimento da geometria e da cosmologia, as grandes navegações que aconteceriam no século seguinte e a ideia de que o homem é o centro do universo. Em suma, Rosselini (abaixo) filma o humanismo renascentista, concretizando a sua proposta de cinema científico e didático que, afinal, encontrou melhor abrigo na televisão do que no mercado cinematográfico. Desapontado com os caminhos estéticos do cinema, que se aproximava cada vez mais da indústria e do comércio, Rosselini preferiu agir no sentido de civilizar esse meio gelado de comunicação que era a TV, ajudando-a a se abrir um pouco mais para a arte e o conhecimento. 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Os filmes lançados na semana 17 maio de 2013


Com o "Homem de Ferro 3" ocupando a maioria das salas, as oito estreias de semana ficam se acotovelando na disputa do pouco espaço que resta. Para piorar, hoje chega O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA – A LENDA CONTINUA (acima *) em 3D, com aquela historinha de sempre e aquele banho de sangue do qual muita gente gosta. Para compensar, entretanto, Hollywood nos manda um desenho animado encantador. Pode levar as crianças e a família inteira por que todos vão amar essa aventura que acontece num mundo em que os homens têm o tamanho de uma formiga. Engraçado e cheio de mensagens ecológicas, o filme é REINO ESCONDIDO (abaixo ***)e a direção é do competente Chris Wedge, o criador da série “A Era do Gelo”.
Outra indicação é o excelente TERAPIA DE RISCO (abaixo ****), do mago Steven Soderbergh com Jude Law, Catherine Zeta-Jones e a estrelinha Rooney Mara. É um espetáculo de suspense que atualiza o estilo consagrado por Hitchcock, adicionando uma crítica cortante à industria farmacêutica que vem lucrando cada vez mais com a depressão e outros males psíquicos do mundo moderno. Grande atuações e um roteiro primoroso.
Temos um documentário nacional e sério que é RAÇA, de Joel Zito Araújo – o cineasta brasileiro que mais entende desse assunto. Outra produção doméstica é GIOVANNI IMPROTTA (abaixo **), o 1º filme dirigido por José Wilker, infelizmente uma comédia superproduzida, mas sem a menor graça. Sinto dizer, mas o filme argentino 2 MAIS 2 deve ser mais engraçado porque foi o filme de maior sucesso por lá em 2012.
Se nada disso interessou há ainda FINALMENTE 18 - uma comédia erótica americana e CONFISSÕES DE UM JOVEM APAIXONADO (abaixo **) um drama de época francês mal cotado, cuja única credencial é a premiada atriz Charlotte Gainsbourg.

sábado, 4 de maio de 2013

Beto Martins, fotógrafo do documentário “Rio Doce-CDU” recebe Menção Honrosa no Cine PE



No depoimento de uma benzedeira que vende ervas sagradas numa barraca do mercado da Encruzilhada em Recife, aparece uma informação notável, do ponto de vista antropológico: com ou sem intenção de comprar alguma coisa, as pessoas vêm fazer oferendas a uma variante de Exu, a estátua da Pomba Gira que fica na loja. Eis aí uma manifestação espontânea de fetichismo afro-brasileiro, ou seja, um elemento do candomblé se infiltrando numa prática de umbanda. Esse processo de sincretismo poderia ser explicado também pelo nome do local em que a imagem se encontra, ou seja, a encruzilhada como alusão direta ao orixá dos caminhos e da comunicação. O fato enfatiza a irrefreável plasticidade da cultura, ao mostrar a mudança de um significado tradicionalmente atribuído a um objeto, por força do lugar em que ele se encontra, isto é, um ponto pelo qual passam diariamente milhares de passageiros, ávidos por referências afetivas para pontuar o seu trajeto com um mínimo de emoção.

Esse presente do acaso para o repertório do cinema é um dos grandes momentos do filme “Rio Doce-CDU” da pernambucana Adelina Pontual, que registra num tempo próximo ao do real o trajeto de uma linha de ônibus que cruza bairros populares de Recife e Olinda. A sinopse do filme não se estende muito além do que diz essa frase – o que não diminui o seu interesse enquanto tema, até porque há poucos símbolos a exprimir melhor a vida democrática do que esse meio de transporte que pertence a todos. O trabalho apresentado no Cine PE 2013 deu Menção Honrosa do júri oficial a Beto Martins, seu diretor de fotografia. Respeitosa e talvez algo intimidada por essa avalancha de realidade que a viagem proporciona, a diretora se limita a seguir essa máxima do cinema-verdade válida desde os anos de 1960 que é se comportar “como uma mosca na parede”. Com outros exemplos recentes, como “Garapa” (2009 – José Padilha), percebe-se que esse modo de construir documentários como faziam Robert Drew (“Primárias” na foto abaixo) e Don Allan Pennebaker (“Dont Look Back”) na década de 1960 ainda permanece sendo praticado. 

Provavelmente sem querer, entretanto, Adelina Pontual faz de seu filme um espetáculo para poucos, ou seja, para os que vivem em Recife e entendem por completo a fala corrente dos habitantes. Durante e exibição no Cine PE, por inúmeras vezes ouvia-se as risadas da plateia sem que fosse possível compreender o motivo do riso, porque o significado do que fora dito escapava aos forasteiros. Dentro dos parâmetros éticos do cinema-verdade – também chamado pelos francófonos de “en directe” – não se admite que o diretor peça ao entrevistado para repetir a tomada, nem que diga novamente a mesma frase mais pausadamente. Não há nada contra, porém, em acrescentar legendas, como às vezes acontece em filmes portugueses, ou como se faz na França ao exibir-se documentários "en directe" do canadense Pierre Perrault (1927-1999) quase sempre filmados num dialeto local de difícil entendimento.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Uma excelente safra de novos curtas-metragens surpreende e brilha no Cine PE


O Programa Cinema Falado está aqui em RE acompanhando o 17º Cine PE, o maior festival de cinema do país, colocando em competição a mais recente e inédita safra de filmes brasileiros. Nesta fornada de novidades, além dos filmes de longa metragem o festival possibilita também a avaliação dos curtas produzidos atualmente. É importante observar com atenção esse formato que permite a prática de todos os gêneros já existentes e a criação de outros até então insuspeitados. Esse e o caso deste que até agora foi o mais aplaudido do evento: “Iris” (foto acima) do iniciante paulista Kiko Mollica, apoiado pelo roteiro do criativo, experiente e sempre bem humorado Jose Roberto Torero. Trata-se de um filme que começa como uma peça de mistério quase abstrata, se transforma em comédia familiar e em seguida se transfigura em história de horror. A novidade, porém, é que toda essa variedade desenvolvida em apenas 14 minutos é inteiramente narrada em câmara subjetiva do protagonista. Para complicar, esse personagem é praticamente cego e o que vemos na tela é uma imagem escura e desfocada. Mas o público entende tudo e morre de rir. 
Outro destaque são os filmes paulistas de animação, cada vez mais sofisticados em termos de forma e conteúdo: “Cadê meu Rango?” (foto acima), do iniciante George Damiani, e o já conhecido e aplaudido “Linear” de Amir Admoni. Notável também, especialmente pela surpreendente encenação e pelo apuro técnico é o mineiro “Os Contratadores”, de Evandro Rogers, seguindo uma linhagem de criatividade e excelência formal que em Minas tem se manifestado. Uma encenação inventiva e angustiante que remete para uma espécie de inferno metafísico. (foto abaixo)
Há também o intrigante "Aluga-se" da paulista Marcela Lordy -- um filme que era para ser um documentário e que se transformou em ficção, sobre o tema da especulação imobiliária. Também de São Paulo, o simpático "O fim do filme" (foto abaixo) de Andre Dib é uma brincadeira romântica construída a partir de um contato de locadora que conta o fim do filme para os clientes. Do Rio de Janeiro, chama atenção o documentário poético "Confete", de Jo Serfaty e Mariana Kaufman que, pela linha do confete, documenta o alegre carnaval de rua do bairro de Santa Tereza. 
Além deste, o carioca Eduardo Souza Lima mostrou "Três no Tri", encantadora reportagem sobre um fotografo veterano, autor de uma foto famosa batida durante campeonato de 1970 no México. E finalmente "Sagatio, Histórias de Cinema" (foto abaixo), do pernambucano Amaro Filho, uma instrutiva biografia de um iluminador que trabalhou na Vera Cruz e veio para o cinema do nordeste. Difícil escolher qual o melhor destes filme curtos que refletem a diversidade de talentos e pontos de vista do novo cinema brasileiro. 

terça-feira, 30 de abril de 2013

No Cine PE, a oportuna redescoberta de Mazzaropi pelo documentário



O Programa Cinema Falado está aqui em Recife acompanhando o 17º Cine PE, o maior festival de cinema do país, colocando em competição até o dia 02 a mais recente e inédita safra de filmes brasileiros. Em matéria de documentário, até agora vimos duas obras concebidas e dirigidas por jornalistas: “Orgulho de ser brasileiro”, de Adalberto Pioto, e “Mazzaropi” do crítico de cinema Celso Sabadin. Com todo certeza o melhor entre os dois é este que se volta para o cinema brasileiro, analisando a contribuição daquele que foi ao mesmo tempo cômico e empresário – um dos mais bem sucedidos de todos os tempos, o caipira paulista Amácio Mazzaropi. Entre os entrevistados muita gente que traballhou ou tinha amizade pessoal como o criador do Jeca, como Selma Egrei, Hebe Camargo e Ronie Von (foto abaixo).
 

Algumas avaliações se apressam em classificar como “clássico” este primeiro longa de Sabadin como documentarista. Na verdade, ele se diferencia muito daquele estilo que se formou já na década de 1920 (com cineastas como Flaherty e Grierson) e se manteve quase inalterado até os anos de 1960, quando a tecnologia trouxe a portabilidade, ao diminuir o tamanho do equipamento para captação do som e da imagem. “Mazzaropi” é, de fato, um trabalho autoral (assim como é autoral uma tese acadêmica) construído a partir de uma pesquisa histórica, seguido de uma infernal caçada em busca das melhores imagens de arquivo, neste país que não cuida da sua memória e de uma criteriosa escolha dos depoimentos mais significativos. Isso, além de um exercício de modéstia e elegância ao se posicionar, assim como os célebres cineastas do “cinema-verdade”, à sombra dos entrevistados, sem tentar impor seu ponto de vista, nem aparecer à custa deles.